Estadão - Caderno Paladar – 07/02/08
Antes de virar cerveja - e ilustrar o rótulo com seu perfil e imponente bigode - o escritor inglês Thomas Hardy (1840-1928) vivia às turras com o pudor vitoriano. Não deve ter sido fácil suportar uma época marcada pelo moralismo exacerbado e mulheres sufocadas por espartilhos. O alívio, ainda que temporário, talvez estivesse logo ali, no copo de cerveja.
Longe do bar, porém, a crítica costumava recriminar o 'excesso' de sexualidade na obra de Hardy. Sua literatura escandalizou muitos e influenciou autores como D.H. Lawrence - que deixaria os puritanos de cabelos em pé com O Amante de Lady Chatterley (1928).
Ex-arquiteto, Hardy começou a escrever romances quando não encontrou quem publicasse seus poemas. Judas, o Obscuro (1895) é seu título mais importante. Já Tess D'Urbevilles (1891) foi filmado por Roman Polanski, em 1979. Bem-sucedido na prosa, Hardy pôde então retornar à poesia.
Da maneira como apreciava a bebida e repudiava o puritanismo, é provável que tivesse gostado de virar cerveja.
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