segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
Dicas do Mestre
Sobre a bebida
1 - O colarinho não é o vilão da história. Na verdade, ele dá graça e sabor especial ao chope, conservando as características da bebida e impedindo a oxidação rápida no contato com o ar;
2 - Muitas bolhas subindo significam excesso de gás, o que provoca amargor na boca e 'inchaço' na barriga;
3 - Bolhas grudadas no copo são sinal de que o mesmo não foi devidamente lavado, conservando gordura;
4 - O chope deve ser gelado a temperaturas entre 2 e 4 graus, no máximo, e não ser 'estupidamente' gelado, o que impediria sentir o sabor e o aroma. Três dedos de espuma mostram que o chope foi bem 'tirado';
5 - Como a validade do chope é curta, deve-se escolher lugares de grande circulação para não correr o risco de tomar bebida velha;
6 - O chope escuro recebe malte um pouco mais torrado e, quase sempre, caramelo.
Copo adequado realça o sabor da cerveja
Ao bebermos qualquer tipo de bebida, como vinho, conhaque, whisky, licor, champanhe, água, suco etc, nos preocupamos com o copo adequado, onde a bebida será servida.
Quando se trata de cerveja, somos menos exigentes, qualquer copo serve: utilizamos os copos de vinho, whisky, tipo americano...
A cerveja possui uma série de características que a diferenciam das demais bebidas. É uma bebida carbonatada, que deve ser servida a baixas temperaturas e com uma coroa de espuma.
Uma vez servida no copo, é extremamente sensível à presença de odores estranhos do ambiente, aquece rapidamente e perde gás carbônico.
O consumidor espera que as características originais da cerveja (brilho, aroma, paladar, cor e espuma), permaneçam inalteradas ao ser servida no copo.
Em alguns países, cada tipo de cerveja possui o seu próprio copo: Ale, Pilsen, Weiss ou Weizen (cerveja de trigo), Dietética, sem álcool, Stout, Bock, Light etc.
Forma do copo
Devemos utilizar copos próprios para cerveja, como as tulipas ou outros que possuam a forma adequada:
- A boca do copo não deve ser demasiado grande, que propicie perda excessiva de gás carbônico, ou pequena, que dificulte a percepção do “buquê” típico da cerveja;
- As paredes do copo, tanto internas como externas, devem ser lisas, de modo a facilitar a limpeza e a assepsia, assim como o fundo, que não deve possuir cantos vivos, que dificultem a limpeza;
- Para o uso comercial, os copos podem ser dotados da logomarca da cerveja que neles é servida, o que por si só representa uma bela propaganda visual do produto em questão, valorizando-o ainda mais. Podemos também adicionar uma marca na parte superior do copo, indicando o seu conteúdo (0,2 litro; 0,3 litro; 0,4 litro ou 0,5 litro). Esta marca normalmente se situa a aproximadamente 25 mm abaixo da borda da boca do copo.
Isto representa respeito pelo consumidor e permite também uma clara visualização do nível da cerveja e a formação de uma típica coroa de espuma.
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
Seleção brasileira na Copa do Mundo
Roberto Fonseca - O Estado de S.Paulo
SÃO PAULO - A World Beer Cup, copa do mundo cervejeira que ocorrerá nos dias 15 e 16 de abril em San Diego (Estados Unidos), terá uma "supersafra" de brasileiros. Serão ao menos 27 produções nacionais, feitas por nove cervejarias, entre as 2.931 participantes de 58 países. Na edição anterior, realizada em 2006, só três brasileiros concorreram.
Agora, só a Eisenbahn, de Blumenau (SC), levará 11 tipos para avaliação. Entre eles, dunkel e weizenbock, que ficaram em terceiro lugar no European Beer Star Awards, na Alemanha, em 2007.
A Colorado, de Ribeirão Preto, aposta em ingredientes brasileiros para chamar a atenção com sua Cauim, pilsen com mandioca, e a excelente Índica, uma India Pale Ale que leva rapadura na receita. Quem também aposta em influências nacionais é a Dado Bier, que inscreveu a Ilex, que leva erva-mate. Os gaúchos também apresentarão sua Belgian Ale.
A Baden Baden, de Campos do Jordão, levará a Stout, a 1999 (uma Extra Special Bitter), e sua principal cerveja, a barley wine Red Ale. De Minas, a Áustria Bier inscreveu Pilsen, Weiss e Amber, e uma novidade: a Golden Ale, que só será vendida em garrafa após o torneio.
A Inab (PR) terá no páreo a Colônia Pilsen, Extra e Low Carb (de baixas calorias). Atuando com exportações, a Cervejas Premium do Brasil enviará a Palma Louca, uma pilsen, e a Xingu (é responsável pela marca no exterior). A Femsa, responsável pela Kaiser, e a Allston, da cerveja Zanni, não informaram se mandam concorrentes.
Gaúcho cria cerveja de chimarrão
Empresário lançou produto em dezembro do ano passado no Rio Grande do Sul.
Bebida tem cor esverdeada por causa do acréscimo da erva-mate na receita.
Globo - G1 - 09/01/2008
Por Glauco Araújo
Segundo o empresário, a DaDo Bier Ilex é a primeira cerveja no Brasil produzida com erva-mate (Ilex paraguariensis). A bebida ainda traz ingredientes como lúpulo, água mineral e um blend de maltes importados. "A cerveja é diferenciada, de baixa fermentação, tem alto teor alcoólico e a coloração esverdeada", disse.
Corrêa levou a idéia de produzir a cerveja usando erva-mate para o mestre-cervejeiro Carlos Bolzan. "Foi um trabalho desenvolvido durante um ano e meio. A erva-mate tem algumas semelhanças com o lúpulo, como o amargor e o sabor semelhante ao da cerveja. Apesar disso, os dois ingredientes são completamente diferentes do ponto de vista químico."
"O projeto da cerveja começou depois de uma conversa com outro amigo cervejeiro, Marcelo Carneiro, em 2006. Ele me confidenciou que tinha vontade de fazer uma cerveja com erva-mate. Eu disse que a história poderia ser interessante e maturei a idéia", disse Corrêa.
Segundo ele, um dos problemas para se chegar ao resultado final da cerveja Ilex foi a falta de referência para testes. "Não tínhamos como comparar os resultados das análises com as amostras feitas com cerveja de lúpulo. Foi uma mistura complexa. Fizemos alguns testes experimentais em restaurantes no Rio Grande do Sul e percebemos uma boa receptividade do consumidor."
A campanha publicitária destinada ao público gaúcho faz alusão à cultura gaúcha. Em um dos outdoors, a mensagem é a seguinte: "Se beber, não galope". "A receptividade foi impressionante. Inicialmente chegamos a ter receio dos gaúchos mais tradicionalistas, pois mexemos com um dos maiores ícones da região, que é o chimarrão. Foi tudo fascinante", disse Corrêa.
Em outro trabalho de divulgação, aparece a seguinte mensagem: "Mais gaúcha que isso, só se viesse em garrafa térmica".
A DaDo Bier Ilex foi colocada no mercado nacional em garrafas de long neck e em um kit com copo em forma de cuia e um suporte para copos feito de couro. "Produzimos oito lotes de três mil litros cada, de dezembro para cá. Isso nos permite fazer 2,5 mil caixas com 24 garrafas long neck", disse o empresário.
O foco da produção é o público nacional, mas a cerveja Ilex foi lançada preliminarmente no Rio Grande do Sul. "Já estamos levando o produto para São Paulo. Também queremos atingir o consumidor da Argentina e Uruguai."
Femsa volta a brigar pelo terceiro lugar
Por Marcelo Onaga
Depois de perder a terceira posição do ranking das cervejarias para a Petrópolis e ver sua participação de mercado cair durante quase todo o ano passado, a mexicana Femsa começou 2008 com motivos para comemorar. De acordo com dados da pesquisa realizada pela Nielsen, a Femsa subiu 0,6 ponto percentual e chegou a 8,3%, contra 8,5% da Petrópolis. É a primeira vez desde abril de 2007 que a cervejaria mexicana ultrapassa a faixa de 8% de participação. Ironicamente, o bom resultado ocorre quatro meses depois de a Femsa romper o contrato com a Nielsen. A cervejaria reclamava dos métodos usados para medir os resultados do mercado, que favoreceriam a Ambev.
A maior parte do bom desempenho está ligado às vendas da Bavaria Pilsen, cerveja mais barata da companhia. O crescimento da Bavária foi de 0,4 ponto percentual, baseado principalmente em redução de preços e também pelo aumento das vendas de cerveja em supermercados que ocorre tradicionalmente no verão. Em janeiro, a Bavária chegou a 2,4% de participação. Kaiser, a principal marca da empresa, subiu 0,2 ponto percentual, fechando o mês com participação de 4,7%. A Sol, maior investimento dos mexicanos no Brasil, continua patinando. Apesar dos mais de 200 milhões de reais gastos em promoção da marca desde seu lançamento, a Sol continua com apenas 0,7% do mercado.
A Petrópolis, rival direta da Femsa na briga pelo terceiro lugar, manteve-se com 8,5% de participação do mercado. Dona da marcas Itaipava e Crystal, a Petrópolis enfrenta problemas com capacidade de produção, o que limita seu crescimento. Já a líder Ambev e a vice-líder Schincariol perderam participação. A Ambev fechou o mês de janeiro com queda de 0,4 ponto percentual, mas ainda é dona de 68,2% do mercado. A Schincariol ficou com 11,1%, queda de 0,3 ponto.
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
A inglesa que é um tributo a Thomas Hardy
Roberto Fonseca
Recém-chegada aqui, esta ale promete durar 25 anos (pelo menos)
Contando a partir deste ano, sete Olimpíadas, seis Copas do Mundo e até seis presidentes da República - se as regras eleitorais não mudarem - terão passado antes que uma Thomas Hardy’s Ale tenha perdido sua validade. As cervejas inglesas, que começam a ser vendidas semana que vem no País, chegam com a fama de poderem ser estocadas por 25 anos - ou mais. E de se tornarem cada vez melhores com o tempo.
A vinda ao Brasil ocorre quando se completam 40 anos de fabricação do primeiro lote da Thomas Hardy’s Ale. O que não deixa de ser uma coincidência: ela começou a ser produzida em 1968, justamente em homenagem aos 40 anos da morte do escritor Thomas Hardy (ler ao lado).
Cada garrafa traz o ano de produção e um número de série, além de um trecho do livro The Trumpet Major (1880), do autor, em que ele descreve uma cerveja. Em tradução livre: “Era da mais bela cor que o olho de um artista poderia desejar em uma cerveja; encorpada, mas viva como um vulcão; picante, porém sem agredir; luminosa como um pôr-do-sol de outono.”
A Thomas Hardy é uma barley wine, ou “vinho de cevada”, denominação que recebem cervejas de alto teor alcoólico - tem 11,7%. A abertura da garrafa revela um líquido acobreado, brilhante, com muito pouca espuma. O aroma é frutado e o gosto, licoroso, com notas frutadas e de caramelo, com lúpulo muito presente nas versões novas - fica menos intenso com o tempo. Apesar do teor alcoólico, é equilibrada.
Cada garrafa de 250 ml deve custar, em média, R$ 26. Informações: Casa da Cerveja (3637-3781).
Um turrão bigodudo que desafiou o puritanismo
Antes de virar cerveja - e ilustrar o rótulo com seu perfil e imponente bigode - o escritor inglês Thomas Hardy (1840-1928) vivia às turras com o pudor vitoriano. Não deve ter sido fácil suportar uma época marcada pelo moralismo exacerbado e mulheres sufocadas por espartilhos. O alívio, ainda que temporário, talvez estivesse logo ali, no copo de cerveja.
Longe do bar, porém, a crítica costumava recriminar o 'excesso' de sexualidade na obra de Hardy. Sua literatura escandalizou muitos e influenciou autores como D.H. Lawrence - que deixaria os puritanos de cabelos em pé com O Amante de Lady Chatterley (1928).
Ex-arquiteto, Hardy começou a escrever romances quando não encontrou quem publicasse seus poemas. Judas, o Obscuro (1895) é seu título mais importante. Já Tess D'Urbevilles (1891) foi filmado por Roman Polanski, em 1979. Bem-sucedido na prosa, Hardy pôde então retornar à poesia.
Da maneira como apreciava a bebida e repudiava o puritanismo, é provável que tivesse gostado de virar cerveja.
No Brasil, a 'Bud' que vem da República Checa
Roberto Fonseca
A bebida chega com o nome Czechvar por causa de uma disputa com a marca americana. Mas é superior.
Com a cerveja, vem a polêmica. A Budweiser Budvar, da República Checa, chega ao Brasil esta semana, trazida pela empresa paulista Uniland (5506-1022), usando o nome Czechvar na América. Ela trava disputa judicial com a produtora Anheuser-Busch, dos EUA, que fabrica cerveja homônima (Budweiser).
A briga entre as cervejarias se arrasta há décadas. Os checos alegam ter direito a usar a denominação porque a cidade onde sua cerveja é fabricada se chama Budweis (ou Ceské Budejovice), e tem tradição envolvendo a bebida desde o século 13. Os norte-americanos, por sua vez, afirmam que o alemão Adolphus Busch já produzia a cerveja Budweiser nos Estados Unidos quando a fabricante da Budvar foi criada, em 1895.
Diante do impasse, cada fábrica usa a denominação em uma parte do mundo. A denominação alternativa Czechvar representa a junção das palavras Czech, ou checo, e pivovar, ou cervejaria.
Se os dois produtores medem forças nos tribunais, que tal na disputa copo a copo? Em termos gerais, a Budvar é uma golden lager (cerveja de baixa fermentação) com 5% de teor alcoólico, de cor dourado-escura, translúcida, com espuma branca densa. Em seu aroma, é possível perceber malte pronunciado (chega a se assemelhar a um biscoito) e notas de lúpulo. As duas características se refletem no gosto, onde o lúpulo se destaca um pouco mais. É uma cerveja com amargor médio, mas que tende a surpreender quem está acostumado com as pilsens industriais brasileiras.
O amargor, aliás, é um dos itens em que a Czechvar (ou Budvar) leva vantagem em comparação com a 'xará' norte-americana, que, apesar de possuir o mesmo teor alcoólico, tem aromas bem menos destacados de malte e lúpulo. A Budweiser da Anheuser-Busch (em versão produzida na argentina) também pode ser encontrada no Brasil, com preços entre R$ 2 e R$ 3.
A Czechvar deve sair entre R$ 11,50 e R$ 14,50 a garrafa de 330 ml e de R$ 14,80 a R$ 18,70 a de 500 ml. A outra cerveja checa disponível no Brasil, a Pilsner Urquell, custa entre R$ 22,50 e R$ 29,90 a latinha de 500 ml. Em comparação com a Czechvar, porém, tem aroma e corpo um pouco mais pronunciados.
Nos próximos dias, mais uma cerveja da República Checa deve desembarcar no País. A Import Beer (www.ibeer.com.br) deve trazer a Starobrno, pilsen com 5% de teor alcoólico.
MAIS NOVIDADES
O mercado também ganhou uma representante do estilo kõlsch, que recebe esse nome em homenagem a sua cidade de origem, Colônia, na Alemanha. A Gaffel, importada pela Stuttgart, de Blumenau (0xx47 3323-2137) é uma cerveja clara, de alta fermentação, com 4,8% de teor alcoólico. A garrafa de 330 ml custa R$ 8 e o barril de 5 litros (descartável) sai por R$ 90.
Para os cervejeiros paulistanos, uma outra novidade está no bar Drake's (3812-4477). A microcervejaria Nacional FT, que já faz a excelente Drake's IPA, criou para o bar a Lolita Blonde, lager, que apresenta notas frutadas e cítricas no aroma e sabor, com 5,5% de teor alcoólico. O pint sai por R$ 12 e o half pint, R$ 7.
No Anhanguera (3368-2771), já está à venda outra lager, a Barley. Feita em Capela de Santana (RS), ela tem bom aroma e gosto de malte, além de 4,7% de teor alcoólico. A garrafa de 330 ml sai por R$ 4,90.
'Com comida, ela é até mais versátil do que vinho'
Roberto Fonseca
Mestre-cervejeiro americano diz que tem convencido até os mais convictos enófilos
De férias em Bombinhas (SC), o mestre-cervejeiro Garrett Oliver, da microcervejaria nova-iorquina Brooklyn, foi na última quinta a Blumenau, na abertura da Sommerfest, que reuniu produtores artesanais catarinenses como a Eisenbahn, que o recepcionou. Oliver, especialista em harmonizar cerveja e comida - é autor do livro The Brewmaster's Table -, deu entrevista a Paladar, por e-mail.
Quais cervejas brasileiras você já provou? Qual sua impressão sobre elas?
É difícil para mim lembrar dos nomes, mas já tomei algumas. Estive em Blumenau em 2005 e fui a uma festa de cerveja. Algumas produções são bastante boas e fiéis aos estilos originais. No caso das microcervejarias, não consigo ver a razão de produzirem cervejas sem sabor como as feitas por produtores maiores.
Qual você considerou a melhor?
As cervejas da Eisenbahn são as melhores que eu provei, especialmente as weissbiers e a dunkel. A dunkel, para falar a verdade, é melhor do que muitas do estilo produzidas na Alemanha.
Qual a imagem da cerveja brasileira nos Estados Unidos? Ainda somos conhecidos como o país da "lager fraquinha e amarelada"? Ou produções locais já são conhecidas por meio de sites de avaliação e exportadores?
Muitos americanos nunca provaram nenhuma cerveja brasileira, logo eles não têm uma imagem do que seja a cerveja brasileira. A Brahma começou a tentar (se tornar conhecida nos EUA), mas tiveram pouco impacto até agora. A Corona, do México, já ocupa a categoria de "lager tropical fraquinha", por isso será um páreo duro para eles.
Qual foi a chave para as microcervejarias se multiplicarem nos Estados Unidos, mesmo competindo com fabricantes maiores e marcas importadas? Vocês têm de lidar com competição de preços de cervejas vindas de outros países? Ou trata-se de uma faixa diferente do mercado?
Nós realmente fizemos parte de uma revolução culinária, junto com o queijo, o vinho e muitos outros tipos de comida. Quando os americanos começaram a comer melhor, eles também quiseram beber melhor. Além disso, as microcervejarias americanas são muito criativas. Isso quer dizer que nós tivemos uma oportunidade de apresentar novos sabores e realmente fazer com que as pessoas se interessassem por cerveja. No entanto, nós competimos sim com cervejas estrangeiras baratas, como a Stella Artois, para a qual conseguiram criar uma imagem "chique" na América. Os belgas acham isso muito divertido.
Como a "educação cervejeira" do consumidor se desenvolveu nos Estados Unidos?
Os livros de escritores como Michael Jackson (jornalista britânico, falecido em 2007) foram muito influentes. Além disso, o movimento de cervejeiros caseiros funcionou como uma espécie de incubadora para a cena cervejeira americana. Grandes chefs cozinham em casa primeiro. Nos Estados Unidos, é o mesmo com cervejeiros.
No Brasil, produtores de cervejas artesanais ainda têm de lidar com "preconceitos cervejeiros", como "a cerveja deve ser servida estupidamente gelada" ou "cervejas escuras devem ser doces e agradam mulheres". O mesmo ocorre com vocês?
Sim, o mesmo ocorre nos EUA com a questão da cerveja gelada. Agora, sobre a cerveja escura, é verdade? Eu nunca tinha ouvido essa! As mulheres não gostam de experimentar cervejas escuras lá. Temos de convencê-las a provar.
Qual o impacto de mostrar às pessoas como harmonizar boas cervejas com boa comida? Isso ajudou a disseminar conhecimento sobre cervejas de qualidade?
Parece ter tido um grande impacto. Muitos produtores agora usam a harmonização como uma grande ferramenta para promover suas cervejas. Também funciona como "elo" entre a cerveja e a vida das pessoas, mostrando a elas quão maravilhosa pode ser a bebida em um jantar em casa. Isso faz a cerveja passar de um divertimento para um item de luxo que não é caro. A maioria das pessoas pode comprá-las todo dia. Atualmente, muitas pessoas conhecem cerveja de qualidade e buscam por elas.
No vídeo Cheese Wars (www.youtube.com/watch?v=6Zwi__PCal0), você "duela" com uma enóloga durante uma degustação de cervejas, vinhos e queijos. Como você analisa a reação das pessoas quando elas descobrem aromas e sabores da cerveja?
Elas ficam bastante chocadas. Geralmente o público é composto de fãs de vinho, logo eles não esperam optar pela cerveja. Mas ela é tão claramente superior que eles têm de ser honestos e deixam a degustação como fãs de cerveja, que é meu principal objetivo. Eu adoro vinho também, mas a cerveja é bem mais versátil com comida, em especial com queijos.
Quão importante é para uma microcervejaria produzir uma grande variedade de estilos?
A criatividade é o maior pré-requisito para o sucesso da cultura cervejeira. Não importa onde você procure no mundo, a cerveja sempre é mais bem-sucedida onde há uma boa mistura de estilos tradicionais e novos. Eu adoraria ver produtores brasileiros começarem a fazer cervejas especificamente produzidas para combinar com comida brasileira, talvez com ingredientes nacionais únicos. O mestre-cervejeiro hoje é como um chef, ele pode buscar influências em todo lugar. A tradição é muito boa - nós fazemos muitas cervejas tradicionais -, mas se você quer realmente chegar à imaginação das pessoas, você precisa ser criativo. E é bem mais divertido dessa maneira!
Qual o segredo do sucesso para uma microcervejaria como a Brooklyn? Se você estivesse para abrir uma microcervejaria no Brasil, qual seria seu plano?
Creio que, obviamente, as cervejas teriam de ser sensacionais, mas o mestre cervejeiro precisa estar à frente do negócio ajudando a difundir a cultura, exatamente como os chefs fazem. Eles precisam trabalhar com chefs top de linha e harmonizar a cerveja com boa comida brasileira, e também com pratos de influência européia. A Brahma e outras cervejas industriais já se apossaram da "imagem de praia", e uma pequena cervejaria não vai quebrar essa associação. O microcervejeiro precisa se nivelar por cima. De lá, você pode tornar a cerveja mais acessível para todos.
O aumento nos preços do malte pode brecar o crescimento do movimento de microcervejarias no mundo?
Certamente será um desafio, especialmente em países com menos reservas. Torcemos para que as pessoas não se afetem tanto com o preço, porque certamente teremos de elevar nossos valores.
Há alguma coisa a mais que você gostaria de dizer?
Gostaria que as pessoas percebessem que nós (os norte-americanos) somos o povo que menos teria tendência a desenvolver uma grande cultura cervejeira. As pessoas pensavam que a cerveja deveria ter gosto de água com gás. Em 20 anos, passamos de 40 microcervejarias a mais de 1500. O mercado de cerveja artesanal nos EUA cresceu 11% no ano passado, e tem crescido todo ano desde a década passada. Cerveja de verdade, como comida de verdade, é tanto o passado quanto o futuro. As pessoas estão abrindo os olhos para coisas melhores e uma vez que as provam, não querem mais aceitar produtos industriais.
Um ano dentro da cave. E eis a Lust Vintage
Roberto Fonseca
Quando o primeiro lote da Lust nasceu, em outubro de 2006, a família Mendes, da Eisenbahn, decidiu deixar algumas garrafas da cerveja, uma das únicas no mundo feitas com parte do processo de champanhe, guardadas na cave. Agora, essa série reservada chega ao mercado como Lust Prestige.
O tempo deixou a Lust mais equilibrada, diz Juliano Mendes, diretor da cervejaria de Blumenau. 'Ela ficou mais seca, com frutado mais equilibrado. Está mais elegante.' A idéia é repetir a série envelhecida a cada produção da Lust. A garrafa deve custar em torno de R$ 70. A Lust normal também ganha versão de 375 ml, que sairá por R$ 29. Informações: www.eisenbahn.com.br ou (0xx47) 3488-7371.
A Uniland (5506-1022) trouxe duas novas versões da alemã Oettinger, em latas de 500 ml. A Export, dortmunder, tem 5,4% de teor alcoólico e deve custar em torno de R$ 6,50. A Super Forte, como diz o nome, tem 8,9% e sai por R$ 7,50.
Mais uma mineira de cidadania belga
Agora, a Wäls lança sua dubbel, estilo nascido naquele país europeu Roberto Fonseca
Minas Gerais está se tornando o Estado mais “belga” do Brasil quando o assunto é produção cervejeira. Além da Falke Monasterium, uma excelente tripel fabricada em Ribeirão das Neves desde 2006, outra variedade inspirada na escola do país europeu começa a ser vendida este mês: a Wäls Dubbel, criada em Belo Horizonte. Além das mineiras, o mercado microcervejeiro brasileiro ainda tem outras duas cervejas de estilo belga: a dubbel Weihnachts Ale, da Eisenbahn (SC), e a Belgian Ale, da Dado Bier (RS).
Os irmãos Tiago e José Felipe Carneiro, da Wäls, contam que a elaboração da Dubbel começou em meados de 2006. A idéia, porém, é mais antiga. “A escolha do estilo ocorreu após a Brasil Brau (feira cervejeira realizada em julho em São Paulo). Queríamos uma variedade ainda não produzida no mercado nacional”, disse José Felipe. Tiago e o engenheiro Tácilo Coutinho, estudioso de cervejas, que pesquisou e elaborou a fórmula da Wäls, provaram uma dubbel no evento e confirmaram a decisão.
A Wäls Dubbel foi envasada em garrafas de espumante de 750 ml, fechadas com rolha. Ela passa por duas fermentações, uma na própria garrafa. A primeira leva da cerveja foi de 2 mil litros. A próxima será feita de acordo com a demanda.
Trata-se de uma cerveja bastante interessante, que vale a degustação. Tem cor castanho-escura, quase opaca, espuma bege e intensa. O aroma é de frutas secas, malte torrado, com notas de especiarias e lúpulo. No gosto, alcoólico pronunciado, malte torrado, leve adocicado e frutado. Ela tem amargor intenso e final bastante seco. O teor alcoólico é de 7,5%.
Para 2008, a cervejaria - que até a dubbel produzia apenas um chope pilsen - tem planos de ampliar a carta de variedades belgas à venda, com uma tripel e uma quadruppel (classificações usadas de acordo com a quantidade de malte usada na cerveja). Na prancheta, ainda há uma barley wine (ou “vinho de cevada”, cerveja de alto teor alcoólico).
A distribuição da Wäls Dubbel será feita pela Casa Flora (3327-5199), que tradicionalmente trabalha com vinhos. Cada garrafa deve custar em torno de R$ 35. Mais informações no site www.walsdubbel.com.br.
Minas Gerais também deve ser, este ano, sede de concurso nacional de cervejas caseiras organizado por associações da categoria. O evento deve ocorrer em agosto ou setembro.
NOVIDADE AUSTRÍACA
O Cervejasnet (www.cervejasnet.com.br) começou a vender a Edelweiss, cerveja de trigo da Áustria, com 5% de teor alcoólico. Cada garrafa de 330ml sai por R$ 7,90, sem contar o frete.